Chegada
é a hora de voltarmos nossos olhos incrédulos para a mais alta corte
jurídica de nosso injusto e ingrato país. É assim que me comporto e
expresso, nesta feita!
A suprema corte
judicial de nossa Federação, Brasil, nos importa aos mais intensos
pensamentos e/ou reflexões acerca dos inglórios tempos de intolerância e
preconceito que, em outrora, vivemos com injustificado fervor.
Confortavelmente
e satisfatoriamente, o STF, Supremo Tribunal Federal, empossa e investe
ao assento de presidente daquela impoluta câmara julgadora, o primeiro
negro ministro do referida corte.
De grande
significado se preenche tal solenidade, a justiça brasileira se revela
cada vez mais tolerante e aberta aos debates, e tal, não é nenhum de
meus "devaneios", paciente leitor.
Não faz milenar
tempo que meus irmãos "de cor" eram trazidos depositados como carga
viva nos navios negreiros ibéricos para a "Terra de Vera Cruz", solo
este e sociedade esta que se moldou de forma singular e mesclada, pois
foi nas curvas e nas "mamas fartas" das mães de leite africanas que os
"sinhozinhos", coronéis e, enfim republicanos se alimentavam e saciavam.
Neste momento,
nota-se que o Ministro Joaquim Barbosa, representa o "sague e suor" de
meu povo, o qual mesmo depois de tantos avanços é maculado com os
intolerantes estereótipos. Ora, em que tempos estamos? Vigiai irmãos,
pois o avançar dos tempos de outrora foram inglórios com nossa
negritude, e ainda, não acabaram.
Façamos uma
breve reflexão! Imaginemos... Como seria bom se um negro na presidência
de mais alta corte julgadora deste país fora algo natural? Como seria
moral e ético saber que os negros nunca teriam sido tratados como
inferiores apenas pelo fato de serem negros?
Mas,
humildemente, e de forma indireta, sinto-me tranquilo, pois é notória e
pública a capacidade do eminente Min. Joaquim Barbosa, haja vista, a sua
origem humilde e seu árduo trilhar na vereda da desigualdade social
presente, in memoriam, na subjetividade do nobre julgador.
Vale
salientar que o referido Ministro destaca-se naquela honrada e suprema
corte, pois, não como pérola, e sim como uma negra ovelha, distingue-se
dos demais ministros seja pela sua luta, às vezes custosa, bruta e
esbravejada, para fazer efetivada a JUSTIÇA.
Em
verdade, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, no
biênio de 2012-2014, deverá agir não como "ovelha negra", e sim, como
pastor de um rebanho, o qual se compreende nas figuras dos demais
ministros que serão, por ele, guiados e organizados para que a República
Federativa do Brasil tenha a real guarida da Lei Maior, e por
corolário, e de seus indissolúveis princípios constitucionais.
Portanto, que ninguém "obstrua" àquela augusta Corte e inquebrantável Constituição Federal!
João Pessoa, PB, 22 de novembro de 2012.
Charles Leandro Oliveira